Tudo começa num rolê na Praça Roosevelt que tive num
domingo.
Antes de subir para a praça andei um pouco de skate no
teatro municipal enquanto esperava outro amigo do meu grupo e acabei conhecendo
um skatista, tal de peixe, que dizia ter alguns shapes em casa e como eu estava
necessitando de um shape novo, passei meu celular pra ele e marcamos de se
encontrar na segunda na Lapa, pois era a metade do caminho pros dois, sendo que
ele levaria os modelos que ele tinha para eu dar uma olhada e ver se fechávamos
negócio.
Depois disso, meu amigo chegou. Subimos para a Praça
Franklin Roosevelt, onde estava acontecendo o protesto anti-Kassab com a
presença de shows do Emicida, Criolo Doido, Karina Buhr, Thiago Petit entre outros.
Curti os shows e ainda andei de skate com a galera depois até o momento que
começou a chover e cada um seguiu seu rumo. Eu acabei dormindo na casa do meu
amigo Matheus.
Segunda, acordei com a mensagem do Peixe dizendo pra nos
encontrarmos às 17h no terminal Lapa. Respondi dizendo que iria e o Matheus
concordou em ir comigo. Quando já era à tarde descobrimos qual ônibus devíamos
pegar e embarcamos para a Lapa.
Chegando lá, descemos umas avenidas e acabamos achando o
terminal e o bendito peixe. Percebi que o peixe não havia trazido nenhum shape
e estava com uma sacola vermelha. Ele disse para eu dar o dinheiro que ele iria
passar no shopping da Lapa (que ficava do outro lado da rua) e compraria um
shape da Santa Cruz por 50,00 com um amigo dele em uma skate shop, pois esse
amigo vendia mais barato pra ele. Santa Cruz é um dos melhores, senão o melhor
shape de skate e seus preços variam a partir de 180,00. O Peixe ainda pediu
para eu ficar com sua sacola vermelha, na qual disse que havia uma calça na qual
ele havia acabado de comprar.
O Peixe disse que voltaria em 10 minutos. Quando se
passaram 20 minutos eu decidi ligar, e ele disse que logo voltaria e que
estavam pegando o shape no estoque. Pediu-me para esperar no Mcdonalds porque
ele iria comer um lanche e já iria pra lá.
Eu e o Matheus ficamos esperando no Mcdonalds. Olhei no
relógio. Haviam passado mais 20 minutos. Liguei novamente pro Peixe e ele não
atendia mais.
Furada. Finalmente a ficha caiu. Ele planejou tudo, até o
lance de deixar a calça comigo para eu não desconfiar que ele fosse voltar.
Ao mesmo tempo em que minha cabeça explodia de raiva e
vingança, tentei relaxar e ignorar o ocorrido. Abrimos a sacola e lá estava:
uma calça usada, rasgada no bolso direito traseiro e nas barras. Por ideia do
Matheus, fomos atrás de um mendigo para dar a calça quando avistei um deitado
dentro de uma agência do HSBC. Entrei e ofereci a calça, ele sorriu, agradeceu
e concordou em me deixar tirar uma foto.
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