sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Bem vindo ao Vale

Eu sempre pensei em escrever isso na entrada daquele lugar. Talvez eu ainda faça isso. O lugar se chama Vale das virtudes, localizado entre Inoocop, Campo Limpo e Capão Redondo.

Porque não existe placa desejando boas vindas na favela nem na entrada nem na saída?

A verdade é que na época eu pensava em escrever em inglês, algo como "Welcome to Guetto". 

Escrito assim ia ficar mais parecido com a arte polêmica do Banksy do que com meu estilo...
Será?
Se você não conhece esse artista, por favor, pare um pouco a leitura e pesquise no Google...
A entrada dali realmente faz qualquer um perceber que está adentrando em um vale. Mas não um daqueles onde você sabe que é uma obra da natureza com relva, floresta ou muita vegetação verde. Talvez tenha sido assim um dia.
Antes das pessoas esquecidas pela sociedade começarem a se instalar ali. Construiram barracos, casinhas de todos os tipos com o que tinham a disposição e conseguiram. Existem sim casas comuns, casas grandes e muita gente ruim e interesseira, mas muita gente honesta e trabalhadora que não tiveram muita chance. Deixe-me falar das pessoas que valem a pena primeiro. O resto deixarei para outro texto.
Primeiramente fui morar lá porque estava em um bairro em Taboão da Serra, o Três Marias onde já havia sido assaltado inúmeras vezes, mas como prometi não falar das pessoas de mau caráter aqui... Enfim no Taboão eu morei com um colega e sua filhinha. Deixei um livro que ensinava a desenhar para ela quando sai de la. Uma garotinha tão inocente. E um lugar rodeado de perversidade misturado com pedaços de dignidade e alguns toques, digamos, de surpresas de filmes de terror. Seu pai, embora alguém que tivesse dificuldade em acordar cedo cuidava da melhor forma que podia dela. Sei que a irmã que morava em outro bairro fazia o possível também. Ele era motoboy, não sei o que faz atualmente, pois perdi o contato. Um kara que me ajudou muito seja me acolhendo quando não tinha onde morar ou dividindo comida quando não tinha o que comer. Na periferia as pessoas boas dividem com você até mesmo o que elas não tem para elas. Sou eternamente grato a esse meu amigo e todos os outros anjos que me ajudaram na caminhada. Seus nomes não estão na Bíblia, mas fizeram coisas que certamente estariam se Jesus estivesse na terra como homem nos dias atuais.
E se ele estiver?
A questão é que lá no Taboão eu estava sozinho (sem parentes) e nessa casa onde eu morava de aluguel estava sem energia e alguns meses sem água. E fazia um frio imenso. Certos dias quando saia para trabalhar desejava apenas voltar e ter energia, só para não ter que ficar comprando velas e lendo com dificuldade a noite. Embora me lembrasse momentos bons no interior ao lado de uma lamparina.
Quando conheci uma amiga num stand de livros que me arranjou um barraco nessa favela embaixo de onde ela dividia com outro amigo na parte do meio. Em cima no terceiro andar moravam o pai e outro filho.
Nietzsche dizia que só conseguíssemos perceber a felicidade por comparação. Então se você fica mais de 1 mês sem água e depois tem até água quente o dia nasce até mais ensolarado.
Pagava 400,00 lá, mas era mais seguro com algumas exceções que não estenderei por agora.
Pelo menos lá tinha água com um chuveiro quente e energia. Isso na época foi o maior motivo da minha mudança. Eu pagava esse valor com a venda de perfumes e cosméticos. Ia de porta em porta. A medida que você ouve uma certa quantidade de "não" você fica blindado. Nessas andanças conheci muitas pessoas e claro, muitas histórias. O mais interessante é que fui morar lá por acaso. Mas a região ficava próxima de uma casa de shows, o Alfenas Show Bar, que já havia sido do meu pai. Ele fazia divulgação nos arredores na época que era dono do estabelecimento, mas depois que vendeu nunca mais entrou na favela. Dizia que o lugar não trazia boas lembranças. Nunca soube da viela 7, uma das poucas que davam p casa q me serviu de moradia por longos 4 meses.
No Taboão o tempo parecia mais nublado naquele bairro. Será que era impressão minha?
Difícil saber. A energia de um lugar diz muito sobre ele.
O que alegrava era andar de skate e fazer grafitti. Ah, quando havia alguma tinta disponível era muito bom.
Salvava meu dia como um bom livro salvava a noite. Lá não cheguei a fazer nenhuma arte comercial, embora tenha feito algumas letras de um barzinho em estilo livre.
Ia fazer a fachada de uma pizzaria, mas o dono vendeu e só descobri quando fui mostrar os rascunhos.
Fiz uma tatuagem com um kara de lá. Ele tatua até hoje e na época me explicou mais sobre a quebrada.
O dono da casa veio do interior do Ceará, vivia dizendo que lá tem muitos lugares bonitos e que um dia voltaria a morar lá quando tivesse melhores condições. Que veio para São Paulo pela falta delas. Esse também me ajudou demais. Seja dividindo a comida dele e do filho seja alongando prazo do aluguel ou trocando uma parte dele por ajuda em sua casa.   Sem contar que cuidava do meu gato quando eu estava fora, dava alguma comida para o bichinho. As vezes eu não tinha nem pra mim que dirá para o animal. Esse vive comigo até hoje e adora ficar na sacada de onde moro agora olhando tudo la em baixo. Gostaria muito de ter fotos daquele ano que morei lá, vou procurar ainda e se encontrar postarei. Não tenho mais o celular daquela época e as fotos que tenho são mais atuais.                           Das vezes que voltei lá não encontrei o dono do barraco em casa, provavelmente estava trabalhando ajudando a realizar o sonho de algum patrão. Mas ele ja teve alguns sonhos. Até realizou alguns no passado como abrir seu pequeno restaurante, teve funcionário e tudo mais, mas o sócio...foi passado para trás, enganado!   Aprendi muita coisa naquele lugar, por isso apesar de momentos difíceis volto lá sempre que posso e vejo algumas pessoas da época.                             Lembro de 2 ex detentos que foram soltos, se converteram e viviam falando da igrejinha que viraram fiéis. Toda vez estavam sentados na mesma calçada na mesma esquina da mesma rua. A última vez que fui lá estavam no mesmo lugar! Sempre a procura de algum bico para fazer, sempre sorrindo. Esses não sei o que fizeram além de alguns furtos no passado, coisas que contam.                 Ali eu conheci e convivi de perto com muita simplicidade e humildade. Obrigado a todos que ajudaram de alguma forma mesmo sem precisar pedir ajuda. Jamais esquecerei seus nomes.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

5 dedos

Já reparou como uma criança faz perguntas?
O modo como ela questiona tudo e a todos é sua maneira de tentar entender o mundo a sua volta. E elas aprendem rápido.
A medida que crescemos as perguntas diminuem, geralmente se extinguem a ponto de ter vergonha por não saber sobre algo ou perguntar a respeito.
Mas por quê?
Conforme a idade avança a lógica seria fazer cada vez mais perguntas!
Existe a falsa ilusão que quem sabe muito não precisa saber mais ou ainda que não tem dúvidas. Todos erramos. Todos temos duvidas. Ninguém sabe de tudo. Vamos nos questionar. Vamos nos permitir.
A filosofia sempre apoiou a dúvida, os argumentos.
Uma criança sempre terá carinho por quem a cuidou do mesmo modo que suas primeiras amizades nunca serão esquecidas.
Devemos ser como as crianças. Jesus alertou quanto a isso.
Quais amigos vão atrás de você apenas para saber se está bem?
Quem sempre está preocupado com você?
Para quem você disse coisas que até então só você sabia?
Existe um antigo ditado popular que diz que amigos de verdade contamos nos dedos. Você completaria uma mão com cinco dedos com pessoas que pode confiar?
A confiança é bem cuidada porque uma vez testada não será mais a mesma.
As crianças não se preocupam se os outros dizem a verdade. Elas se entregam. Acreditam piamente nas pessoas.
Já imaginou um mundo assim?

quinta-feira, 19 de maio de 2016

De Coraline, por Neil Gaiman

Contos de fada são a pura verdade: não porque nos contam que os dragões existem, mas porque nos contam que eles podem ser vencidos.
                              G.K. Chesterton

domingo, 5 de julho de 2015

Ó Pátria amada mal idolatrada salve salve









A novela além de ibope busca inovação
Quer retratar a favela na televisão
Paraisópolis ficou famosa, virou moda
Mas cadê a informação?
Cotidiano periférico sofrido
Assim que começaram a ocupar o morro
Mais uma dentre várias outras que foram surgindo
Ó povo que não desiste nunca
Mais uma vez enganado pelo velho pão e circo
Verás que o filho teu não foge a luta
Pois vire homem Brasil, país menino
Presidenta ou não continuamos na ditadura
Essa mulher esta acabando com nosso ensino
Quem ganhou mais na ditadura que a Globo?
Aqui a política que enoja nunca foi nova
Impera a nova tacada muito mais antiga que minha querida avó
Não a culpo por assistir essa porcaria porque sei que é inocente
Se eu pudesse... Jogaria uma bomba no plenário
Porém para evoluir é preciso caminhar para frente
Então não roube, pois o governo odeia concorrência.
O que será que o índio viu no espelho do navegante português?


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ilhados em nós mesmos




Seja um discurso político, uma júria de amor ou uma promessa dita a um amigo, se não forem levadas a sério e na intenção de cumprimento não passarão de meras palavras sem valor.
Quantas vezes mais serão necessárias tentar de novo? E quantas vezes será possível acreditar?
Não temos todas as respostas e nem precisamos delas para saber o que nos espera.
Tudo acontece muito rápido e ao mesmo tempo queremos saber de tudo. O psiquiatra Augusto Cury, criador da teoria da Inteligência Multifocal, diz que a maioria das pessoas sofre da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Somos bombardeados a todo instante com pensamentos de todos os tipos podendo controlá-los ou não. Impedem, por vezes, a concentração e o precioso sono renovador das energias. De acordo com o psiquiatra, que também é cientista, psicólogo e escritor, o mal do século é a própria ansiedade.
Conseguimos pensar naquilo que queremos e na hora que queremos?
Do mesmo modo que as coisas nessa vida vêm fáceis elas também podem ir, então será que vale a pena agir por impulso? Existe um segredo para a realização dos desejos?
A lei da atração diz que se depositarmos nossas vontades e desejos em algo ou alguém o universo irá conspirar a nosso favor. Não é algo instantâneo tampouco complexo... Apenas “imagine seu sonho realizado e ele se realizará”.
A realidade funciona dessa forma? O pensamento positivo pode ser um inimigo?
“Para que alcancemos nossas metas de vida, devemos confrontar nossos desejos com obstáculos reais, ajustando expectativas e descobrindo nossos limites” Gabriele Oettingen
Uma criança sempre irá sair dos braços da mãe para explorar o ambiente porque contesta o paradoxo da liberdade, assim como uma pessoa com fobia de altura irá desafiar isso em algum momento.
“Somos condenados a ser livres”.  Jean Paul Sartre
Quando criaram as prisões não estudaram o campo de batalha da mente. Alguém que fica preso sequer deixa de pensar na possibilidade de sair. Analisar as estratégias para escapar é inevitável.
A mente pode ser um cárcere?
Mas não fazer o que temos vontade não seria uma forma de prisão? O que é mesmo uma prisão?
Por que a música relaxa?
Nietzsche certa vez disse que na cidade grande estamos preocupados com o que pensam de nós. Porém a natureza não nos julga.
Por que quando estamos em meio à natureza sentimos paz e tranqüilidade?
 “A primeira condição para encontrar-se é saber aonde se quer chegar” Viktor Frankl

Estamos então perdidos dentro do nosso Eu interior?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Graças a rua

Tantos rolês, pistas de skate e tantas histórias emocionantes. Quanto mais desbravamos mais queremos conhecer lugares diferentes.
Logo em São Paulo, em meio a tantos eventos e lugares para tirar um lazer é quase impossível ficar em casa, principalmente aos finais de semana.
O mais incrível é a maneira como você vai conhecendo o espaço ao seu redor, como vai fazendo amizades e vai deixando sua marca nas vidas de outras pessoas através da arte e do esporte.
Somos batalhas de rap que acontecem cada vez mais, somos grafiteiros, skatistas, pichadores, mc´s, artistas de rua, somos os grupos de diferentes estilos e tribos da juventude e da velhice.
Lembro de quando eu cheguei na terra da garoa e não conhecia quase nada. Na época eu fui morar com meu pai em Embu das Artes numa chácara bem grande e eu e meus irmãos não saiamos muito de casa apesar de aproveitarmos bastante de dentro dos muros. Desde la sempre fui fascinado pela cultura de rua e todo o seu mundo era algo praticamente novo para mim.
O desenho faço desde pequeno. No sitio onde nasci, em Tupã (interior de sp) uma vez fiz uns desenhos na parede da área da casa da minha vó e ela não gostou muito no dia, mas percebeu que aquilo tinha sido criativo. Algumas vezes em família eu desenhava, mas faltava algo e na primeira oportunidade que tive graças a minha madrasta vim para a cidade grande. Aquilo foi o começo de tudo e apesar de eu ter começado a andar de skate no interior foi aqui que eu fui desenvolvendo esse hábito. Foi aqui que eu criei a crew e que conheci muitos picos e muitas pessoas importante em minha vida.
O skate e o graffiti abriram as portas para o desconhecido de modo a me fazer perder o medo de conhecer o imenso território que eu tanto almejava.
Daqui a uns dias acontecera a primeira arte no muro com apoio de uma loja e os rascunhos tão quase prontos...enfim, vivemos a rua e dela também podemos tirar dela coisas boas e adquirir conhecimento, ela nos ensina o que não aprendemos em casa e somos muito gratos por isso.
Diferente da unica coisa que os noticiários mostram na rua mesmo de madrugada existe felicidade, existe paz. Mas é a maneira que as pessoas querem enxergar que elas verão de fato.
Pare um pouco, pense e observe os muros, observe as colinas, as ladeiras e praças. Ali existe mais história e cultura do que muito lugar diz ou deveria ter.
Apesar de não haver o apoio e reconhecimento pela maioria de nossa sociedade transformamos e utilizamos o design dos lugares.
Graças a rua, somos o que somos.






 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Acampamento de Jah

O melhor de se ter um grupo de amigos que andam de skate com vc vai além do esporte ou da diversão. É  a amizade que prevalece independente da distância ou tempo.
 Já havíamos ido na virada esportiva e virada cultural e vários outros lugares, mas dessa vez decidimos acampar. E como alguns da crew moram próximo de Parelheiros optamos por acampar na via 1 da Serra do mar até porque o Anderson e o Fernando já conheciam um pouco do local.
O Allexandre organizou o evento no facebook e partimos naquela aventura para ver o que nos esperava. 
O ponto de encontro era no terminal Grajaú depois era necessário ir até o terminal parelheiros e pegar o ônibus Barragem até o ponto final. 
Fui com um pessoal da zona este até o Grajaú e encontrei a galera la esperando nas catracas. 
Chegando na Barragem caminhamos umas duas horas de trilha até achar a linha do trem, mas não achamos a cachoeira na primeira edição do acampamento, por isso, acampamos póximos a linha de ferro.
Era nossa primeira ida lá, mas estavamos tão empolgados que fomos atras de lenha e fizemos aquela fogueira gigante. Havia um guia conosco, mas ele acabou se perdendo então os mais experientes na cozinha começaram a fazer nossa gororoba, o que fiquei muito bom por ser nossa primeira vez acampando.
Como havia muitas pessoas não havia barraca para todos então improvisamos e coube todo mundo, mas não do jeito que queríamos. As fotos dizem por si só.





















No dia seguinte encontramos a cachoeira e um lugar melhor pra acampar que tinha até um mini fogão a lenha e ficava do lado de um riacho com um balanço em uma arvore. Esse balanço tem história!
Depois do primeiro vieram outras edições. Sempre vão algumas pessoas pela primeira vez, mas os pioneiros do primeiro sempre vão.
Esse último final de semana foi a 3ª edição, dessa vez estava muito mais calor, mas ainda assim fugimos da correria e do barulho da cidade da garoa e deu para espairecer a mente, conversar, fazer novas amizades e nadar bastante.
Já estamos pensando aonde vai ser o próximo acampamento de Jah e dessa vez vamos sair do Estado, aguardem!